Frio e racional

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Pesquisou no youtube algum som, pensou em chuva, mas não era o essencial. Não tocava a alma. Trens quem sabe? Gostava. Melhor o som do tráfico. Os carros buzinando e o som das fabricas. Cidade grande com pessoas sérias escondendo o melhor da vida. O murmurinho do silêncio a incomodava tanto. Fazia relembrar, ter saudade. Pensar no proibido. Deitou-se e ligou a luz de suas pequenas luzes de natal que estavam sobre os nichos na parede. Essas luzes a acalmavam, sem motivo. Pensou, não queria ter lembrando. Os carros barulhentos já não a faziam esquecer-se das coisas.
Fechou o notebook, estendeu seu braço sobre o colchão gelado e deitou. Sentiu uma lágrima escorrer pelo seu rosto (mais uma?). As coisas não estavam bem. Desejou estar em tantos lugares naquele momento. Vestido curto, batom vermelho, salto preto e pronto, poderia até formar algum sorriso sem sentimento em seu rosto. Uma boa desculpa. As vezes as coisas triviais parecem trazer uma certa ventura. Ela não queria ser apenas mais uma na noite de algum garoto bêbado em uma rave.
Estava frio, e isso a fazia lembrar (o que não fazia?). O aconchego de um filme e de um abraço… Como faziam falta. Passado. Os sábados costumavam ser mais divertidos. Os sorrisos não eram falsos. Era quase espontâneo. As piadas surgiam com os assuntos mais ridículos.
A dor já havia passado, mas as cicatrizes continuaram. E são para sempre não é? Algumas coisas são inevitáveis, e somos obrigados a aceitar. Aceitação até é plausível…depois de que a alma cala.
O telefone não parava de tocar. Convites foram feitos, rasgados e encontrados na lixeira. Alguns deles nem lidos. Preferia não ler. Ela não ia se interessar por nenhum. Só precisa de um tempo. A solidão ajuda na maioria do tempo. Quanto o silêncio bate na porta, o arrependimento diz adeus. No caso dela, sem arrependimentos, mas ela ainda ouve batidas na porta.
Tinha tantas certezas…uma delas de ser feliz, acima de tudo. Até era. Mas não parava de pensar se seria mais ao lado de alguém. “Alguém”…era tão difícil pronunciar aquele nome. Foi complicado aceitar calada. Foi complicado engolir os sentimentos com um pingo de derrota.
Embora o cérebro já ter esquecido, o coração tormenta. Faz sonhar, evocar, sentir.
O tempo passou, e as coisas mudaram. Começou a evitar as pessoas, não sentia mais aperto. Passou. As coisas faziam sentido, e sua fuga não era o chocolate. O coração ainda era frio. Mas agora racional.

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